sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Episódio da primeira sexta-feira do ano


  Eu estava aqui sentada pensando na minha vida, mais especificamente em um "nós dois". Tudo isso começou quando vi que você estava online no msn. Geralmente você vinha falar comigo, no primeiro instante mas nessa noite foi diferente, você não veio falar comigo. Depois daquele dia que nós saímos eu não fiquei satisfeita, não mesmo. Me sentia louca e inexistente quando não era olhada como um objeto sexual. Ele estava andava desleixado ao meu lado sem me fitar diretamente, olhando apenas o movimento da rua. Eu andava calada, cansada da caminhada que tinha feito antes sem descansar e também não o fitava, só ouvia ele falar com um casal de amigos que andava logo atrás de nós. Fui assim, até chega o local combinado, sem soltar muitas palavras e escutar uns desaforos. Pensei em tudo isso em menos de cinco minutos, por isso decidi não dar a largada ao assunto, apenas continuei o que estava fazendo.
  Logo após sentar novamente me lembrei de outras coisas. Ele respondendo mensagens do meu lado impaciente e um pouco sem graça. Li apenas algumas palavras das mensagens que ele trocava com uma menina que consegui memorizar o nome. As primeiras palavras da mensagem eram "amor". Não fiz alarde, não queria mais saber. Dane-se quem fala com ele, nós não temos nenhum compromisso sério. Entretanto é óbvio que isso veio a tona depois. Era como se eu tivesse guardado um papel em uma gaveta que mais tarde teria que organizar.
  Quando me dei conta deixei de viver o presente para relembrar o passado, junto com as angústias, frustrações e decepções daquele momento. Fiquei triste, mas a minha razão tentou me empurrar para pensamentos melhores, apenas tentou. De repente, os momentos felizes nos quais estava me apegando não valia mais nada. Senti um vazio muito profundo, mas ainda não tive a audácia de agir.
  Prometi para mim mesma que não procuraria, porque sabia que ia achar algo. Minha razão gritou, gritou até ficar rouca dentro de mim, quase ao ponto de perfurar minha cabeça mas o maldito coração estava lá, pedindo para ver e o fiz. Estava lá o meu temor se realizando: achar algo que pudesse me derrubar, mais uma vez, fiquei triste. Sai da sua página e retornei ao meu tormento pessoal, ainda resistindo, mas por pouco. Entretanto não estava feliz com a dose de masoquismo, queria mais e dessa vez minha razão não fez mais esforço. Cliquei em um dos links e achei outra coisa. Minha primeira a única reação foi ódio, a segunda foi traição, e a terceira... bom, eu estava sendo feita de idiota. Em uma foto alheia ele dizia ser dono de uma tal garota - que nem tive a paciência de analisar se era digna de beleza - e ela afirmava que era dele. Fiquei pensando "será que estou louca, só eu que sinto essas coisas?".
  Não pensei, não imaginei, não medi minha ações. Fui falar com ele pensando em apenas uma coisa: acabar com ele. Já tinha tomado a minha decisão entre lágrimas e apertos no coração, era uma loucura que eu estava disposta a fazer, mesmo que me fizesse sofrer junto. Eu ia acabar com o pouco que nós tínhamos, eu iria pra ele nos próximos segundos que não o queria mais. E para falar a verdade? Eu realmente não quero, sei que isso é apego e que daqui uma semana e meia minha cabeça vai estar em outro cara, que com certeza não será ele.
  Cheguei como uma pessoa educada, com o nada clichê "Oi, tudo bem?", justamente para não dar pista. Ele me respondeu com o usual apelido "amor", que na hora só me subiu o sangue e aumentou o meu rancor, o suficiente para continuar a minha loucura. Não aguentava mais esperar para falar aquilo e falei objetivamente: vamos parar de ficar. Ele perguntou o por que da decisão e eu friamente respondi: só acho melhor nós pararmos de ficar. Ele só me respondeu com um "se é isso que você quer, tudo bem" e no final uma carinha feliz para tentar me enganar. Até acreditei em um segundo na felicidade forçada mas depois pensei: orgulhoso, é lógico que ele não vai transparecer. Respondi com um "uhum" de saco cheio com a pegunta que estava contida naquela frase "você tem certeza do que está fazendo? olha que não vai ter mais volta!". Ele colocou uma carinha feliz e eu não disse mais nada. O que mais eu poderia falar? Nada, já estava feito.
  Minutos depois senti meu peito inchar, meu coração bater mais forte e um medo insano, que não cabia dentro de mim. Mais o orgulho da minha posição veio a tona: eu tive coragem, eu consegui. Consegui acabar com ele assim como ele fez comigo. Ao mesmo tempo que fiquei feliz por ter me valorizado nessa história, fiquei triste por ter fazer aquilo, não estava nos meus planos. O choro ecoou de dentro pra fora e eu chorei, chorei segurando aquilo que estava contido mas que veio a tona, como um vulcão em erupção. Não sentia arrependimento, mas me sentia sozinha. Sozinha porque estava apegada a alguém, mas na verdade, estava muito mais sozinha do que acompanhada.
  Um dia depois do chororô e de um certo amparo visitei sua página, de novo. Por que? Não sei, prefiro não entender o que se passa dentro de mim as vezes. Mas dessa vez, vi algo que não estava direcionado a suas amigas (que pra mim, são biscates). Ele dizia que eu posso ir embora, já estava na hora de procurar uma nova paixão e deixar de sofrer. Eu nunca iria vê-lo chorar. Essa mensagem malcriada me deixou feliz, surpreendementemente. Se não se importasse, não daria o luxo de colocar algo para me atingir. Tive a plena certeza que eu o derrubei do cavalo, com a mesma intensidade que ele fez comigo. Olho por olho, dente por dente. Foi assim que aconteceu esse episódio histórico, rápido e conturbado. A ferida foi aberta ontem por mim mesma e ainda dói com certa intensidade. Mas prefiro assim. Essa semana eu choro, na próxima choro de dar risada. E assim a vida continua. Não há ferida que não cicatrize e não há felicidade que dure eternamente.

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