sábado, 17 de setembro de 2011

O casulo se rompeu e a borboleta saiu



  Criei coragem de uns tempos para cá, inovei. Ao invés de gastar meu tempo dentro das minhas quatro paredes sempre conectada com os amigos virtuais eu saí. Sim, fiquei insegura, cheia de medo de fazer feio mas fui mesmo assim, acreditava que eu precisava fazer isso para sair da minha inércia que já não me proporcionava felicidade.
  Comecei minha nova fase, meu novo caminho e infelizmente - ou até mesmo felizmente - encontrei dificuldades no meio do caminho. Não desanimei, bati de frente com o desafio com bravura e vontade. Sair de casa sempre foi um problema para a minha mãe e principalmente para mim, que nunca consegui confrontá-la. Sempre fui muito passiva em várias situações, sempre tive medo de falar ou fazer algo que pudesse me prejudicar mais tarde. Não sei por quê e nem de onde surgiu tanta vontade, na verdade isso pouco me interessava, eu apenas queria e lutaria por aquilo que eu mais quero e preciso: liberdade.
   Se engana quem pensa que a luta foi fácil, ao contrário, foi bem árdua. Tive que conversar, brigar, discutir, bater a porta e mostrar que há uma borboleta se desenvolvendo e as suas asas são grandes demais para esse casulo minúsculo. Os pais têm mania de dizer que nós somos rebeldes demais, mas eles são ignorantes demais para se lembrarem de quando também tinham essa idade e o sentimento de uma necessidade de quebrar barreiras e aquelas regras que nos eram impostas quando éramos crianças, que na época não tínhamos a capacidade de questionar.
  Questionei, e muito sobre alguns valores e regras que foram impostas, porque eu sabia que elas apenas existiam e não havia uma razão. Ao decorrer do tempo eu fui mostrando - e jogando quando necessário - a verdade para minha mãe para que ela entendesse o quanto tudo aquilo de não me deixar sair de noite não fazia sentido, não para mim. Os tempos mudaram, ela sabia e sabe disso, mas é difícil tirar da cabeça de alguém algo que vem desde a sua criação: filhos não podem sair de noite.
  Algo acontecia bem devagar, tanto com ela quanto comigo. Antes de ter a minha tão almejada liberdade eu teria que pagar um preço que não era negociável. Era pegar ou largar, e eu peguei com toda a vontade do mundo. Por mais que o preço a ser pago fosse alto demais. Fiz tudo o que tinha que fazer e até mais, tudo para mostrar que era capaz de sair de noite com 18 anos mas com a responsabilidade de uma pessoa que 30. Foi árduo, duplamente árduo para mim. Tinha que fazê-la enxergar o que estava de errado e também que eu era capaz. Não foi nada fácil, admito com a humildade de uma pessoa que tem fraquezas. Eu estava cansada, irritada mas continuava, sem parar, apenas esperando o dia que a minha liberdade iria me dar asas.
 Finalmente consegui o que tanto queria. No primeiro momento paguei mais cara pelo preço de saber se eu era capaz do que a própria liberdade, fiz isso de maneira vingativa e raivosa, mas depois isso passou e surgiu o orgulho, a satisfação, a confiança que eu não sabia que tinha dentro de mim. Ao mesmo tempo que queria gritar "estou livre por hoje!", queria gritar mais alto ainda "eu sou capaz de pagar pela minha liberdade!".
  Hoje, aos 18 anos, com toda a vontade imensa de viver, quebrar regras, de entender como os meus hormônios funcionam, de beijar, de dançar, de dar risada, de ter amigos, de ter ficantes e de ficar alegre eu declaro que consegui mais um pedacinho da minha liberdade através do meu esforço, através da minha determinação e do meu ideal. Se estiver alguém aí, se sentindo apertado com as diversas regras, discussões e valores que lhe foram implantados se liberte, se jogue, encare. Não há nada mais gratificante do que conquistar as coisas, principalmente a liberdade.

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